Coleção Reflexos: Painting of the Sea

     O mar é aberto, diz a artista-fotógrafa. Permite então certas abordagens que os lagos não. Há mais luz nesses lugares abertos e pouco espaço para a sombra. Porém, nos lagos há outros elementos, outros reflexos, num universo talvez maisintimista, mas nem por isso "breve" Desde a antiguidade, o mar foi metáfora para oinescrutável, mas símbolo do perene. Ao mesmo tempo, o mar está em constantemovimento, mas ele está presente desde antes o nascimento dos homens até o depois. Nos trabalhos, isso fica patente: há o movimento, marcado pela ondulação, pelo objeto refletido e turvado, mas também há o instante, eternizado.
     Vemos nessas imagens poucas interferências do homem. A artista diz apreciar o natural, dar voz à natureza por ela mesma. O que se ressalta, então, é a natureza com sua força. O movimento do mar, como uma pintura, distorce as imagens do fundo ou as imagens da superfície. O mar é o elemento (que turva), mas que está para o além e para o aquém. É curioso notar que a superfície da água é também uma divisa, um limite entre dois mundos.
     Há uma espécie de espelhamento calmo, sem a preocupação com a imagem tomada como ela é ou como deveria ser. Dá-se a água e ao mar a liberdade de criação, uma espécie de reflexão sobre as coisas, sejam da própria natureza ou não.
     Há uma poesia sutil nessas imagens, de tranquilidade e de contemplação. Há também um festival de cores, mas sem o lugar-comum que se espera em fotos do mar. Novamente, a placidez

Benedito Costa Neto

Professor