Coleção Reflexos: Movimentos - por Benedito Costa Neto

     A água como elemento da natureza, mas mística, por assim dizer, uma mística própria da artista, que respeita os movimentos da água, mas sem o interesse de apenas registrar o movimento. Há espaços mais fechados nessa série - em comparação com o mar, por exemplo - locais que lembram contemplação ou que guardam um segredo a ser revelado, como fossem um local mágico, a ser descoberto, primeiro, para depois ser desvendado.
     A dualidade entre movimento e espelho é nítida: espera-se de um espelho que ele mostre o verdadeiro, o correto, o igual (embora invertido). Mas a água em movimento turva o que deveria refletir, ou seja, é como se mostrasse outras possibilidades ao real - ou do que nosso senso comum chama real.
     Nessa série, temos um diálogo com outros trabalhos da artista, notadamente alguns elementos, como as folhas. Porém, aqui, as folhas são coadjuvantes. Migram silenciosamente, ou esperam um destino que não saberemos qual. Ocorre que um único espelho se transforma em milhares e por isso vemos o aspecto quebradiço da imagem. Mas o que mais chama a atenção é a placidez desses espelhos aos milhares. Há calma nesse ambiente que poderia ser monótono. Há beleza nesses vermelhos, amarelos, azuis e verdes. Curiosamente, eles são como um pensamento da áqua. Como se a áqua não os refletisse, mas refletisse sobre eles

Benedito Costa Neto

Professor